A customização e upcyling ajudam a ressignificar a moda

Com olhar no consumo consciente e na sustentabilidade artistas e estilistas transformam peças que seriam descartadas.

Laís Odeli, de Blumenau, transforma essência em arte através da customização

O mercado de moda vem sendo pressionado pelos consumidores a repensarem seu sistema de produção e nessa corrente surgem como uma das principais tendências de 2020 o upcyling e a customização, que acabam agregando mais valor através da criatividade. Esse mercado vem ganhando forte projeção e interessados no mundo e não seria diferente acontecer em Santa Catarina.

O upcyling e a customização partem do mesmo pensamento, ou seja, de transformar e ressignificar produtos que seriam muitas vezes descartados no lixo. Em prol do meio ambiente e trazendo uma perspectiva positiva para a moda, a artista Laís Odeli, uma apaixonada pela arte, começou a customizar tênis, bolsas e óculos, prolongando assim a vida desses acessórios. “Em 2018, a Arezzo viu meu trabalho nas redes socais e me convidou para participar de uma experiência de personalização de produtos. Foi muito legal e depois dessa primeira experiência eu fui convidada para outros eventos em Blumenau, Brusque e até Curitiba.”

A artista blumenauense sente que esse é realmente um mercado em ascensão, principalmente para aqueles que procuram trabalhos únicos que unem energia, essência, cores, ideias e composição. “A customização é uma forma de dar um novo sentido para uma peça. Ela traz vida e revela a essência da pessoa. Em vez de descartar e comprar um produto novo é possível reutilizar e isso para mim é consumo consciente. É dar um recomeço”.

Mesmo com a forte onda para gerar valor através dessas duas iniciativas, o upcyling e a customização não são nenhuma novidade no mercado. O termo upcyling já era apresentado em 2002 no livro Cradle to Cradle, de Michael Braungar e William McDonough. A obra explora a relação da humanidade com o lixo que produz e o papel das indústrias nesse cenário.

TRANSFORMAR ESSÊNCIA EM ARTE

O trabalho de Lais segue uma linha extremamente sensível havendo uma preocupação em entender o cliente. “Eu sempre converso com a pessoa antes de fazer uma customização. Eu quero conhecer essa pessoa, quero saber a história, do que ela gosta, eu quero captar a essência e transformar em arte. O meu objetivo é sempre surpreender. Eu me realizo quando as clientes falam que eu superei as expectativas”.

Meio a tintas e uma proposta orgânica, Lais planeja cada vez mais criar uma experiência especial para cada cliente, do seu início ao fim. “Tudo é muito bem pensado e planejado para gerar essa identificação. É a junção de essências: a minha e da pessoa”. A artista ainda revelou que pretende ampliar o mix de produtos. “Eu quero customizar roupas e também fazer várias colabs com marcas”.

NA MESMA CORRENTE

Grandes estilistas também já utilizaram essas técnicas em suas coleções, como é o caso da Stella McCartney e da marca francesa Comme des Garçon. Mais recentemente Marcelo Sommer em parceria com o brechó Casa Juisi, de São Paulo, lançaram uma coleção com 48 peças exclusivas que nasceram a partir do reaproveitamento de matérias do acervo garimpado dentro da Casa Juisi. Em entrevista ao site Lilian Pacce, Sommer revelou que Harajuku e o streetwear japonês foram os influenciadores para a transformação de roupas simples em itens elaborados.

FAÇA VOCÊ MESMO

Em tempos de redes sociais o upcyling e a customização ganham ainda mais vez, no youtube e no instagram diversos influenciadores e produtores de conteúdo ensinam como dar uma nova perspectiva para peças que estavam paradas no armário. Na moda masculina o jornalista e apresentador Caio Braz produziu em 2016 a série “Oficina do Braz” que traz de forma simplificada tutoriais de como reaproveitar e transformar roupas.

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