A união e a resiliência poderão salvar a indústria têxtil e a economia criativa de Santa Catarina

Para Amélia Malheiros, Santa Catarina tem nessa crise a oportunidade de impactar e fazer a diferença.

O setor têxtil e criativo de Santa Catarina, assim como o restante do país, vem tentando planejar estratégias para enfrentar os efeitos da crise criada pelo COVID-19. Segundo uma pesquisa realizada em março de 2020 pelo Senai Cetiqt, cerca de 70% das empresas, com sede no Sudoeste, Sul e Nordeste, disseram não estarem preparadas financeiramente para situações como a pandemia de coronavírus.

Ainda na mesma pesquisa, ouviu-se que a cadeia de moda passaria a valorizar ainda mais os produtos nacionais principalmente comprando de mercados locais para abastecer sua linha de produção.

Se antes da pandemia uma das tendências de comportamento dentro do consumo era olhar o local, essa premissa fica mais forte ao observar as possíveis saídas para esse setor.

No meio de tantas incertezas a indústria têxtil vem se readaptando e com isso gerando novas ofertas dentro do mercado produtivo – mesmo que inicialmente em uma escala pequena, havendo uma boa oferta e entrega eficaz, essa tendência tende a crescer e se firmar nos próximos anos.

As atuais projeções são desanimadoras e afetam negativamente o setor.

Considerado um dos maiores polos têxteis do Brasil, Santa Catarina também está procurando enfrentar esse novo desafio, o que será uma tarefa difícil, principalmente quando falamos dos altos custos dos impostos, que torna a recessão ainda mais assombrosa.

De acordo com levantamento realizado pelo Valor Data com 36 instituições financeiras no Brasil, apurou-se que teremos uma queda no PIB em 2020 de até 3%.

Mas existe luz no fim do túnel?

Sim, existe. Santa Catarina através da solidariedade mutua e crença no trabalho ao longo da sua história reergueu-se em diversas catástrofes naturais, driblando até uma economia extremamente instável. O estado possui uma capacidade extraordinária para a superação, além de conseguir se destacar em situações adversas principalmente focando-se na economia circular, que tende a crescer nos demais estados brasileiros.

Obviamente ainda temos um cenário desafiador e para clarear as ideias conversei com Amélia Malheiros, que é gestora da Fundação Hermann Hering e cofundadora do Santa Catarina Moda e Cultura, o SCMC, que afirma “Santa Catarina já utiliza a colaboração nos mais diversos setores e isso pode ser muito potencializado e a hora é agora. ”

Amélia, de olho no cenário atual, como a economia criativa de Santa Catarina consegue sobreviver?

Lucca, não só sobreviver como ganhar espaço, impactar, fazer a diferença. Aqui temos gente que sonha cria e realiza, acostumada a encarar muitos desafios, sejam climáticos (grandes enchentes) ou em outras esferas. A união e a resiliência são marca desse estado. Eu creio que com um desafio posto e estruturado, como estamos vivendo agora, a produção criativa se torna ainda maior e potente, possibilitando transformações reais de muitos negócios. É das mentes criativas que sairão as soluções para serem executadas!

Será que enfim o catarinense vai dar mais valor ao mercado criativo já que vem se falando muito de um olhar para o local nesse momento?

Eu acredito fortemente e digo sim, também o brasileiro de forma geral vai olhar para o país e entender que precisamos conhecer melhor nosso potencial, nossas belezas, nossa gastronomia, nossa moda, enfim consumir o que temos, fazemos, criamos com aquele orgulho de quem valoriza o local, mas o desafio desse local é realmente entregar valor, seja na experiência de consumo, seja na qualidade, seja no design, enfim, em toda jornada. Muitas oportunidades de novo para aqueles que se dedicarem com vontade!

E como a economia local pode utilizar essa mudança de hábito como propulsão de seus negócios?

Pode desaprender um pouco o jeito antigo, pode realmente encontrar seu propósito, seu valor, aquilo que realmente tem de melhor e com humildade olhar para o cenário, reconhecendo que não tem mais nenhuma verdade posta, começar a mapear, a colaborar, a ouvir a interpretar de forma diferente, abrindo mão de egos, vaidades que sempre estão presentes. Realmente entendendo que o barco é único, a tempestade é forte e os braços que temos para remar precisam levar para o mesmo lado, então políticas públicas, sociedade civil organizada, empresas, entidades do terceiro setor, tendo como meta PESSOAS, PLANETA E RESULTADOS todos na mesma equação.

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