Coronavírus, a pandemia que mudou tudo: como a indústria da moda terá que se reestruturar para sobreviver?

como a indústria da moda terá que se reestruturar para sobreviver?

A pandemia do coronavirus ainda não acabou, mas aos poucos, mesmo dentro de um cenário adverso e repleto de dúvidas, vamos enxergando possíveis caminhos de um futuro inserto, mas com alguns fatos pertinentes.

Segundo relatório realizado pelo escritório de consultoria McKinsey & Company em parceria com o Business of Fashion, “à crise é um catalisador que chocará a moda. A indústria já estava em alerta máximo antes da pandemia e com o avanço do vírus as perspectivas tornaram-se ainda mais sombrias. A moda agora está em alerta vermelho”.

ESSE É UM MOMENTO DE REESTRUTURAÇÃO:

Teremos um mercado recessivo, isso é um fato. Porém espera-se uma recuperação no cenário econômico em até dois anos, com base em crises globais anteriores, como a crise financeira de 2008. Os empreendedores, sejam eles de pequenas ou grandes marcas, precisam desde já irem pensando e se adaptando ao novo cenário focados na economia e nos desejos dos seus consumidores.

Nesse momento, a indústria tem como prioridade (e chance) redefinir e remodelar completamente sua cadeia produtiva e de distribuição já que setor será impactando pelos bloqueios da cadeia de suprimentos, interrompidos primeiramente na China e depois na Itália seguindo agora para outras partes do mundo.

SINAIS DOS NOVOS TEMPOS:

Segundo o Copenhagen Institute for Futures Studies, a ideia de “menos é mais” vai guiar a população daqui para frente. Os consumidores já estavam dando sinais de uma possível mudança no consumo algum tempo, mas a pandemia acelera essa necessidade, ou seja, ganhando ainda mais velocidade e urgência.

Entre os modelos de negócios que ficam em foco é o comercio online, que provavelmente se tornarão um elemento permanente nos próximos anos. Fortificando essa tendência, de acordo com um estudo realizado pela plataforma de venda SmartCommerce, 40% dos atuais compradores online fizeram sua primeira compra em março – quando a pandemia estava dando os primeiros casos no Brasil.

Esse momento também pede para as empresas que estão investindo no online garantirem seus esforços na distribuição para manter a qualidade dos seus produtos. Outro ponto muito importante é tornar a experiência do usuário nos e-commerces cada mais prazerosa, removendo futuras irritações e tensões para não afetar seus negócios.

A crise econômica irá revelar não apenas vulnerabilidade do setor, mas também surge uma oportunidade para melhorar o desempenho e crescimento da indústria fashion. As marcas mais que nunca estão sob pressão para adotar políticas mais sustentáveis, mesmo dentro de um cenário incerto construindo um foco estratégico e tomando medidas corretas pode-se gerar resultados positivos, pois os consumidores poderão considerar essas decisões para realmente efetuarem uma compra.

O QUE VAI SE CONSOLIDAR NOS PRÓXIMOS ANOS?

Mesmo com as tristes consequências para a moda, indústria que chegou a gerar US $ 2,5 trilhões em receitas anuais globais antes da pandemia, o relatório do Business of Fashion em parceria com a McKinsey reforça que os pequenos e grandes produtores precisam compreender as oportunidades e antecipar medidas e até mesmo mudanças em seus sistemas para enfrentar a crise econômica.

Entre os comportamentos que afetarão a moda no mundo pós-coronavírus e já podem ser adotadas permanentemente, o destaque vai para:

Aceleração do comercio digital – o mundo do comércio online sem contato deverá ser reforçado pelas marcas.
Colaboração dentro do setor (mesmo entre organizações concorrentes) – já que nenhuma empresa enfrentará a pandemia sozinha, será um momento de compartilhar dados, estratégias e ideias.
Comunicação eficaz – empresas precisam alimentar seus canais de comunicação tendo cuidados especiais para garantir que preocupações, perguntas e interesses sejam atendidos.
Investimento e busca de materiais de base biológica mais inovadores – o crescente interesse do consumidor por mudanças nesse setor refletem em investimentos em tecnologias que criem menos desperdícios e usem menos materiais, como também revejam seus processos de reciclagem, desenvolvimento de linhas feitas de cânhamo e sedas de engenharia biológicas como também tecidos estampados em 3D que podem colher e armazenar eletricidade.
Os consumidores querem apoiar as marcas que estão fazendo o bem no mundo – a transparência tornou-se uma questão importante principalmente influenciado por consumidores cada vez mais preocupados com questões que incluem trabalho justo e sustentabilidade.
Suas escolhas estão alinhadas com a sua identidade? – Tudo o que você faz agora será analisado depois e resultará em uma compra ou não do seu produto.

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