Diário Mental: A capa em branco – Habemus novos tempos

A revista Vogue Itália apresentou ontem, 07 de abril, sua capa desse mês e surpreendeu ao trazer uma página em branco. Jamais iriamos imaginar que uma revista de moda, que sempre impactou com fortes imagens, também chamaria a atenção por se abster dessa presença.

Fiquei refletindo muito com essa ausência de imagem, pois para a moda a imagem é muito importante. Talvez em momentos de adversidade, como estamos vivendo, abrir mão dessa representatividade fale muito de futuro.

A CAPA EM BRANCO

A tela branca nos deixa nu. Talvez mais frios e realistas e projeta nossos olhares para a imensidão e para as possibilidades. O olhar nos leva para frente, na caminhada real e muitas vezes dura.

O vazio é respiro, é silêncio.

Como artistas que olham a tela em branco nossa cabeça tem a oportunidade de criar as mais diversas narrativas.

Em primeiro momento podemos olhar a tela em branco assustados, fora da nossa zona de conforto.

A Vogue Itália ao trazer a capa em branco nos mostra que o improvável traz algo bom. Traz a novidade.

Como poderíamos imaginar o novo sem cair na repetição?

A tela em branco abre a possibilidade em nossas vidas.

Como escreveremos e desenharemos a moda. A vida?

A capa em branco é vento de novos ares que invadem o pulmão de ar.

Sem horizontes, linhas, retas.

A FUMAÇA QUE ANUNCIA NOVOS TEMPOS

Buscando outra reflexão, lembrei da fumaça branca usada pela igreja católica para anunciar a escolha de um novo Papa. Ou seja, o anuncio do novo. De novos tempos.

A capa em branco também fala disso.

É a transição para um novo tempo.

Se a moda estava caminhando para lado galgado pelo ego e pelo consumo.

A tela em branco nos dá a possibilidade de rever nossos erros e projeta a construção.

A ausência de imagem fala muito mais que a própria imagem.

A ausência de imagem nos traz muitas reflexões, pois temos a oportunidade de criarmos nossas próprias narrativas.

A tela branca recebe as nossas sombras.

A tela em branco somos nós, que assustados dançamos nus com a brisa dos novos tempos.

Fechamos os olhos. Respiramos fundo e aos poucos vamos pintando a tela em branco.

A tela em branco é fumaça…. É transição. São novos tempos.

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