::: Entrevista: DJ Ana Paula

Hoje o Noisemaker retorna a safra de entrevistas e para isso escolheu a DJ Ana Paula, conhecida pela sinergia com a pista. Sua carreira a cada ano vem crescendo, assim como seu prestigio e carisma com seu público que a segue aos sete cantos do mundo.

Com uma agenda invejada seu carnaval será agitado já que toca na WE Party hoje no Rio de Janeiro e domingo parte para Florianópolis para ser uma das estrelas da Ejoy. A brincadeira não termina por ai, já que segunda-feira estará na DUO no 00 e depois da folia carimba o passaporte para Miami indo tocar na Work durante o Winter Music Festival.

Conversamos sobre essa incrível e frenética carreira em algumas ótimas trocas de e-mails. Falamos muito desse mercado que atualmente anda em crescimento, mas sente falta de uma valorização ao que estamos ouvindo.

[NM] Você não tem medo com a popularização da música eletrônica ela possa se tornar, de certa maneira, descartável?

[ANA PAULA] Acho que a boa música nunca será descartável. Mas tenho medo da falta de qualidade que o pop vem absorvendo.

[NM] Atualmente de 10 pessoas 8 querem ser DJ. Alguns dizem que o próprio mercado seleciona os bons e ruins, mas será que esse público não está ficando menos exigente?

[ANA PAULA] O público vai dançar o que tocarem para eles, pois são universitários, advogados, professores, empresários, dentistas… Pessoas que tem o dia a dia intenso e que vão extravasar nas pistas de dança. Agora para music lovers como nós, uma boa música será sempre o ponto alto de uma festa. Por isso ser DJ, por mais que muitos queiram, é para poucos. É necessário ter CULTURA MUSICAL, saber entreter e educar sem cair na mesmice. Ser inovador e ter coragem de tocar o novo.

[NM] Seu “boom” foi praticamente junto com as históricas X-Demente e B.I.T.C.H*. Como foi fazer parte daquela energia?

[ANA PAULA] A X Demente foi meu grande aprendizado, graças à festa pude amadurecer como DJ e hoje me sinto preparada para qualquer pista do mundo. Porque afirmo que até hoje não existiu um dancefloor como o da X Demente.

[NM] Seu nome era um dos que encabeçava os famosos flyers da X-Demente. Se você pudesse com uma única música representar aquela pista, qual seria?

[ANA PAULA] Posso citar duas? Uma para cada versão da festa. Afinal Marina e Fundição eram locações distintas. Kings Of Tomorrow – Dreams (Sandy Rivera Reconstruction) e Chriss Ortega – Hypnotized.

[NM] E atualmente qual música descreve sua carreira?

[ANA PAULA] Eu toco house music e suas vertentes, gosto de fazer long sets, pra contar uma história no dancefloor. Seria injusto citar apenas um track.

[NM] Falando em carreira, os que acompanham sua história sabem que Ana Paula surgiu meio a um dos programas de maiores audiência numa popular rádio do Rio de Janeiro, depois o caminho foi te levando para ser um dos grandes nomes da cena. Tem alguma coisa que Ana Paula deixou de conquistar e ainda está guardado para os próximos anos?

[ANA PAULA] Eu sou bastante realizada na minha carreira, mas sempre podemos conquistar mais. Porque acredito que essa é a grande graça da vida, não parar de sonhar nunca.

[NM] Em qual momento você percebeu a importância do seu nome para a cena eletrônica?

[ANA PAULA] Pelo carinho enorme que recebo das pessoas, o interesse maior da imprensa pelo meu trabalho e quando vi a minha contribuição para a formação de novos talentos que vem surgindo.

[NM] Falando em talentos, como se forma um grande DJ: com talento ou feeling?

[ANA PAULA] Um grande DJ é aquele que tem cultura musical e um bom feeling para agradar os dançarinos de plantão.

[NM] E a fase produtora de música, como anda essa vertente?

[ANA PAULA] Aconteceu no tempo certo, lancei dois singles no final de 2011, “Fashion Show” da cantora canadense Cory Lee e “Fireman” da cantora Australiana Paulini, vencedora do Australian’s Got Talent. No momento me encontro em estúdio trabalhando para uma grande diva da música eletrônica em parceria com o DJ Memê, vocês saberão em breve!

Cory Lee – Fashion Show (DJ Ana Paula Radio Edit).


[NM] O Rio de Janeiro sempre foi um exportador de festas, hoje infelizmente essa cena não anda das melhores. A que você justifica essa ausência de grandes projetos?

[ANA PAULA] Talvez os produtores estejam com medo de apostar. Hoje temos apenas dois grandes eventos por ano, o Rio Music Conference e o Chemical Music, ambos produzidos pela Directa.

[NM] Tem alguma festa que aconteça no Rio que você não perde de jeito nenhum?

[ANA PAULA] Não existe uma preferida, mas eu adoro dançar e se a música for boa, você com certeza vai me encontrar na pista.

[NM] Um dos assuntos mais discutidos é a criação de um sindicato para regulamentarizar a profissão do DJ. Será que isso realmente vem para ajudar ou vai acabar atrapalhando o mercado?

[ANA PAULA] Acredito que vai ajudar, porque do jeito que está só tende a desvalorizar a profissão. Tem muito wanna be por aí…

[NM] Numa visão geral do mercado nacional os DJs brasileiros estão num bom caminho?

[ANA PAULA] Sim os nossos DJs têm se destacado, novos talentos estão aparecendo. Mas sem generalizar, me refiro aos profissionais do ramo.

[NM] Falando de mercado, seu nome internacionalmente é um dos mais importantes. Sou obrigado a entrar no assunto: qual a diferença de tocar em território estrangeiro?

[ANA PAULA] São experiências maravilhosas porque cada lugar tem a sua cultura, a troca é enriquecedora. Saio sempre muito satisfeita com o feedback.

[NM] Como bem já foi citado nessa entrevista, você foi residente da X-Demente, para os cariocas sentirem a energia da Ana Paula constantemente na pista falta o que: um bom convite ou uma agenda menos lotada?

[ANA PAULA] Um bom convite, porque pra tocar para os cariocas sempre haverá espaço na agenda.

[NM] Obviamente são anos de carreira e com eles vêm diversos momentos marcantes. Desses todos quais você destacaria e por quê?

[ANA PAULA] Destaco os 4 anos de X Demente que me revelou e me preparou para as pistas do mundo e a minha estréia no festival Diverscité em Montreal, para 25.000 pessoas em 2007. Muita coisa mudou na minha carreira internacional após esse festival que foi uma ótima oportunidade na de mostrar o meu trabalho. Muitos convites começaram a pintar para tocar na América do Norte.

[NM] Estamos começando um novo ano e com ele vêm os projetos, quais serão os seus?

[ANA PAULA] Me firmar como produtora, tocar muito mundo afora e voltar para uma grande pista carioca.

Ana Paula, só posso desejar mais sucesso para sua carreira e que esses seus desejos se realizem o mais rapidamente possível, pois o Rio de Janeiro agradeceria em ter uma grande festa e ver você como uma das estrelas dessa noite.


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