DIÁRIO DE BORDO: CAPITULO TRÊS – DA INTERNET EU ACABEI INDO PARAR NO IMPRESSO

Agora em 2018 celebro dez anos de produção de conteúdo voltada para a internet. Ao longo da minha história assisti revistas surgirem e tantas outras sumirem. Obviamente é sempre muito triste quando vemos o impresso sumindo, mais pelas demissões em massa que pelo conteúdo – salve raras exceções

EDITORA ABRIL DEMITE EM MASSA: ENTRE 500 E 840 FUNCIONÁRIOS
Editora Abril anunciou um corte de funcionários estimado entre 500 e 840 pessoas. O grupo anunciou nesta segunda-feira (6) o fechamento de Cosmopolitan, Elle, Boa Forma, Mundo Estranho, VIP, Viagem e Turismo, Arquitetura, Casa Claudia, Minha Casa e Bebe.com. As revistas Veja, Exame e Claudia foram poupadas, de acordo com o site Meio & Mensagem (Agosto, 2018).

Não sou saudosista e costumo não me prender no passado, mesmo sendo um colecionar delas, as revistas – sim, no físico
Amava comprar a KEY e a Júnior, ambas assinadas pelo time da jornalista Erika Palomino, e mais recentemente a FFW, que trazia o lado artístico e inspiracional da moda para um material impresso de luxo, com mais de um tipo de papel na mesma publicação – algo que hoje comercialmente provavelmente não irá rolar devido ao alto custo de produção.
Engraçado que vimos um êxodo (com certo desespero) de diversos veículos impressos migrarem para os meios online. Já eu fiz totalmente o contrário. 
EXPLICO:
O site nasceu em 2008, mas fui parar no impresso apenas em 2009 quando colaborei com alguns importantes veículos especializados em música eletrônica – assunto que eu dominava na época. Mais tarde ainda passei pela Nanu!, projeto aqui de Blumenau, e até fui jurado da edição especial Rio de Janeiro da Época, em 2012. 
Após essas colaborações vi o impresso perdendo peso – de tamanho e principalmente público – as pessoas estavam nas redes sociais querendo consumir tudo instantaneamente na velocidade do “créu”. 
A INTERNET, PARA MIM, NUNCA FOI UM VILÃO, MAS MEU MELHOR COMPANHEIRO QUE ABRIU AS MAIS DIVERSAS OPORTUNIDADES, COMO COLABORAR COM O IMPRESSO. 
Talvez isso seja culpa da minha geração, mesmo ainda muito apegada ao físico, vem se desligando desse meio de comunicação. Não vou entrar no estudo de comportamento dos millennials e todos os que vierem e vão vir a seguir. Esses não querem folhar nada de papel, estão é querendo a informação pronta para ser digerida em segundos na tela do celular ou ainda no relógio digital. 
O IMPRESSO FICOU DATADO E ESTÁ AGONIZANDO EM LEITO DE MORTE. TRISTE? TALVEZ, MAS A VIDA SEGUE E AS MUDANÇAS SÃO IMPORTANTES. 
Além dessa falta de interesse das novas gerações no impresso, os grandes conglomerados que detém o monopólio desses veículos ainda usam velhos formatos em novos produtos. Querem aquela publicidade engessada, banal e sem conteúdo. Está tudo mudando, as agências, a publicidade, a TV, o rádio, o impresso e principalmente o público.
VAMOS ADIANTE
Chegou a hora, mais uma vez, das agências, a publicidade, a TV, o rádio e até mesmo do impresso criar novas alternativas, trazer propostas diferentes e com isso criar novamente o interesse do público mais jovem em estar inserido naquele contexto. 
SÃO NAS TENTATIVAS QUE CHEGAMOS AO ACERTO. 
No meio disso tudo ainda fico feliz que em pleno 2018, com meus 10 anos de internet, estar completando meu primeiro ano dentro de um projeto impresso, a Revista Versar, que em setembro celebra seu primeiro aniversário e que faço parte desde o número um. Ali tenho tentando experimentar todos os formatos possíveis de textos e até mesmo editoriais especiais. Tem sido um aprendizado bacana para uma cria da internet. 
Mas quais serão os próximos capítulos? Prever o futuro é com certeza algo que você não vai encontrar aqui – até porque eu estaria ganhando milhões com isso. Mas fica na imaginação algumas ações, principalmente conectando o online e off-line de maneira criativa e cheia de gás – aquele que dá vontade de consumir até precisar se renovar novamente.
A VIDA É ASSIM, FEITA DE MUDANÇAS. EU NÃO SOU O MESMO DE ONTEM E TAMBÉM NÃO SEREI AMANHÃ.
Se você se interessa pelo assunto, leia esses textos publicados no Meio & Mensagem – “O que está matando as revistas e transformando o PR“, de Pedro Tourinho, e “O impresso como produto para um público exigente”, do jornalista Eduardo Tessler. 

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