O futuro da indústria de beleza: cosméticos Clean beauty e naturais crescem no mercado

Os dados são animadores, estima-se que setor de cosméticos naturais alcançará US$ 25,11 bilhões até 2025.

Os consumidores estão mudando a maneira como avaliam e compram seus produtos cosméticos e de beleza. Existe um forte movimento em direção a produtos com ingredientes mais naturais, seguros, menos tóxicos e ecologicamente correntos. Esse mercado é extremamente promissor, principalmente pelos mais jovens, já que a geração millenials, nascidos a partir de 1999, procuram produtos que não agridam o meio ambiente e estima-se que eles sejam até 2020 um total de 2,6 bilhões de pessoas.

Santa Catarina vem se destacando nesse segmento de beleza, pois abriga as principais marcas de clean beauty, termo internacional para cuidados com a beleza de forma limpa e livre de toxinas. Como é o caso da Miniatural, marca criada pela jovem farmacêutica Amanda Maria Buzzi, que apaixonada pela cosmetologia passou a questionar os produtos que utiliza em seu dia-a-dia. “Tudo era motivo para eu querer pesquisar e me inteirar mais no assunto. Resolvi criar a minha própria marca e queria que ela tivesse um diferencial. Decidi explorar a utilização de ingredientes naturais e nada de origem animal por vontade própria“, diz.

O consumo desses produtos é uma crescente e já é tido como uma prioridade para 32% dos brasileiros, segundo pesquisa divulgada pela Nielsen Brasil em outubro de 2019. A mesma pesquisa ainda revelou que 18,2% do faturamento do segmento “verde” está concentrado no mercado de higiene e beleza. “Há uns 3 anos percebo o quanto o consumidor está se questionando sobre o produto que ele adquire, de onde vem, quem fabrica, o seu diferencial. Mais do que isso, a sustentabilidade também é colocada em pauta, aliás vejo que isso é um dos primeiros quesitos observados pelo consumidor“, declara Amanda.

Entre os produtos naturais desenvolvidos pela Miniatural estão sabonete, desodorante, manteiga corporal, além de máscara de argila e sérum facial, que podem ser adquiridos em lojas parcerias como também no próprio e-commerce.

QUANDO NATURAIS?

Para um cosmético ser considerado clean beauty, devem seguir rígidos padrões no seu processo de formulação, como não conter ingredientes que não apresentem qualquer risco à saúde e todos os ingredientes precisam estar claramente em seus rótulos. Mas isso não significa que sua fórmula seja completamente natural, podendo conter elementos artificiais, porém não podem ser tóxicos.

Essa preocupação não fica apenas na produção e ingredientes, mas também nas embalagens. A Miniatural utiliza em sua grande maioria embalagens de vidro, que podem ser reutilizadas ou destinadas à reciclagem.

GLOSSÁRIO:
Cruelty free: produtos que pertencem a marcas livres de crueldade animal. Ser cruelty free significa ter uma cadeia de produção (de ingredientes e fórmulas) completamente livre de testes em bichos.
Orgânico: é uma versão potencializada da beleza natural. Aqui, em vez de metade dos ingredientes, 95% da fórmula deve ser orgânica! Ou seja: composta por matérias-primas cultivadas sem uso de agrotóxicos.
Plant-based: identifica receitas e fórmulas livres de produto animal.
Vegano: além de cruelty free, os cosméticos veganos são 100% limpos de matérias-primas de origem animal. Exemplos de ingredientes não-veganos superusados nos cosméticos: colágeno, retinol, cera de abelha, mel, leite, lanolina, queratina, carmim.

PARA ELES

De olho no mercado masculino, o Grupo Reserva lançou de forma discreta em 2017 sua linha de bem-estar, que hoje conta com mais de 30 itens que privilegiam os ingredientes naturais e com ausência de componentes de origem animal. Para Pedro Cardoso, diretor de novos negócios do grupo, a VAIBE (Vtensílios e Acessórios para Intenso Bem-estar), como é conhecida, só faria sentido se usasse o máximo possível de ingredientes naturais, evitando sempre possível alguns componentes químicos. “Nem sempre é possível por questões técnicas, mas se pudermos usar o natural ao invés do sintético, daremos preferência sempre ao primeiro”, declara Pedro, que ainda rebate a cultura de achar caro os produtos naturais. “É caro aquilo que não entrega valor. Se entregar benefícios reais e perceptíveis para o consumidor, for produzido de forma justa e responsável com o meio ambiente e a sociedade, pode ser segmentado e restrito sim, mas não é caro. No caso de cosméticos e alimentos, percebemos que a sociedade está bem atenta aos ingredientes, a composição e disposta a valorizar produtos menos industrializados e feitos de forma mais artesanal.”

A linha VAIBE, que está disponível nas lojas da Reserva como também em seu e-commerce, entre sua gama de produtos destaca-se um modelador de cabelo com pó de tapioca, o shower gel com esfoliante de semente de caroço de damasco e até uma cera de cabelo com manteiga de karité.

MERCADO FORNECEDOR

Mesmo com o crescimento de público, a cadeia produtiva ainda é menos desenvolvida, além de existir um alto custo da matéria prima. “Tudo o que é de origem natural é caro, orgânico é mais ainda! Acredito que seja porque, usando o exemplo do orgânico, a produção é também de alto custo. Alguns fornecedores precisam obter selos de qualidade e se enquadrar em diversas regras impostas pela nossa legislação, e tudo isso infelizmente encarece a produção“, afirma Amanda, da Miniatural.

DE OLHO NO FUTURO

Segundo relatório disponibilizado pela consultora Grand View Research, o setor de cosméticos naturais alcançará US$ 25,11 bilhões até 2025, com um crescimento anual de 9,4% durante o período previsto.

O fácil acesso a esses produtos de nicho via e-commerce são apontados como um dos principais fatores para esse crescimento como também o aumento de opção de novas marcas ou marcas já existentes que estão se adaptando para atender esse público.

Para Amanda o futuro é principalmente ligado ao meio ambiente. “Nossa natureza é tão linda e exuberante e precisa ser cuidada! Ela só nos traz coisas boas e, no meu caso, em forma de matérias primas que virarão produtos incríveis para todos“, finaliza a farmacêutica.

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